Ja comentei aqui das vezes que reconheço brasileiros na rua, sem nem ouvir que estão falando português? Não sei o que é, mas só de olhar já acende o alerta, depois a confirmação que em 99,99% das vezes, acerto. Não decifrei ainda o que é que dá tão na cara, mas uma caracteristica comum e engraçada é como nós olhamos e reparamos nas pessoas.
O que é bem engraçado também, é que nós falamos alto de uma maneira tão livre, porque sempre achamos que ninguém vai entender nada em volta. É por isso que quando cruzamos com os conterrâneos, ficamos bem quietinhos, esperando a gafe.
Hoje no metrô E, a tarde indo pro médico, dois senhores sentados calados no banco em frente ao meu. Esses confesso, não tinham ligado meu radar, só reparei quando ouvi:
- Quanta figura estranha né rapaz?
- Ô nunca vi isso, olha o sapato daquele alí.
Quando saí, falei alto, "Ai que sono né filha". Eles olharam assustados.
Hoje, no metrô C, indo pra casa, duas mulheres sentam ao meu lado na plataforma. Já achei que ela estava olhando demais pra Luna deitada no meu colo, reparando em algo. Passa uma mulher toda perua, e então uma delas olhando muito, medindo de cima a baixo diz: "Que formosa hein". E começam a falar da roupa da formosa. No mesmo instante passa uma figura normal para os padrões de NY, mas nem tanto pros olhos dos brazucas: "Nossa olha esse, parece que caiu cândida no cabelo". A outra adiciona: " credo, que coisa feia". As duas nesse ponto, obviamente com o pescoço totalmente virado pro lado onde ele estava, acompanharam e mediram, do início ao fim. Eu e Luna, no maior silêncio.
